No período de minha formação acadêmica nos anos 90, nós alunos de psicologia tivemos a oportunidade de ter uma aula específica em dinâmica de grupo que faria uma vivencia em relaxamento e visualização. A instrução da temática era um recorte na experiência de se sentir: arvore cabana e riacho.
Não tive a oportunidade de ficar na sala e vivenciar com os colegas por conta de um compromisso com a secretaria da faculdade. E ao retornar todos estavam fazendo eufóricos comentários sobre a experiência e fiquei muito curiosa. Procurei a professora para falar como eu devia fazer e ela me garantiu que talvez numa outra oportunidade. Não me dei por satisfeita, minha ansiedade era tamanha. A professora então me indica o texto (instrução) que eu deveria seguir.
À medida que vou lendo, percebo que formam imagens mentais conforme vou descrever: “Imagine que você é uma árvore, repare no seu tronco, casca, raízes, folhas ...
A imagem mental que me vinha era de um pedaço de tronco seco, oco, descascado, sem vida. Que descia a deriva numa correnteza de água suja, barreta, alaranjada. Tentei inúmeras vezes, visualizar uma árvore plantada, mas esse tronco seco insistia em ficar descendo a corrente. Então questionei a mim mesmo “eu não quero ser esse pau rodado’. Segui para a instrução da cabana e vi uma cabana de palha, vazia, sobre palafitas em um pântano de água limpa, dentro da cabana só havia uma esteira, também de palha. Segui para o riacho e encontrei um riacho, límpido, estreito, raso, trazia muita paz o lugar.
Terminei a vivencia e um dia mais tarde procurei a professora que também é psicóloga e perguntei sobre isso. Ela não soube a resposta para as minhas indagações e aquilo me deixou inquieta.
Tempos mais tarde após me formar e iniciar um trabalho voluntário voltado à assistência aos marginalizados e excluídos, estava eu lendo um livro de conotação religiosa, que mais é um colóquio entre alma e Jesus. Onde encontrei algo escrito assim:
“Aconteceu que dei um dia um passeio pelas vizinhanças de um riacho e vi um pedaço de madeira á deriva (trata-se de mim) que fora abandonado pela corrente do mundo. Inclinei-Me e tirei-o da corrente, trouxe-o Comigo para casa e plantei-o no Meu Jardim de Delicias. De um pedaço de madeira seca, Eu fiz (de ti) uma árvore. E disse: ‘Cresce! Cresce e cria raízes no Meu Jardim, na Minha propriedade; e, de tuas flores, exale um perfume que aplaque a Minha Justiça’. Disse: ‘Todos os meses amadurecerão frutos e as tuas folhas servirão de remédio para a multidão (alusão a Ezequiel 47,12’. De vez em quando, divirto-Me a podar-te; a Minha Delicia é ver desabrochar as tuas flores e o permanente crescer dos teus frutos. Só a Água (o Espírito Santo) do Meu Santuário (o Sagrado Coração de Jesus) te poderá dar crescimento e vida. Eu Javé, vigiar-te-ei para que possas prosperar. Sinto prazer em recolher, de vez em quando, pedaços de lenha à deriva. Eu posso dar a vida a tudo quanto recolho no Meu Caminho” (Livro: Verdadeira Vida em Deus, pág. 330/331 – caderno 56- IV volume).
Caros leitores, após estas palavras não há nem o que comentar. É simplesmente maravilhoso.