Lembrai-vos

Lembrai-vos
Lembrai-Vos, ó piíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que têm recorrido à vossa proteção, implorado a vossa assistência, e reclamado o vosso socorro, fosse por Vós desamparado. Animado eu, pois, de igual confiança, a Vós, Virgem entre todas singular, como a Mãe recorro, de Vós me valho e, gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro aos Vossos pés. Não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus humanado, mas dignai-Vos de as ouvir propícia e de me alcançar o que Vos rogo. Amen.

1 Oct 2011

Uma versão brasiliana de “O Reno se lança no Tibre”.


by G. M. Ferretti

Monsenhor Francisco Bastos
Monsenhor Francisco Bastos
Não é de admirar que tenha caído no esquecimento a figura de um padre tão nobre e zeloso como Monsenhor Francisco Bastos.
Pároco da Igreja da Consolação, isso, aquela em São Paulo, perto da Avenida Paulista, desde 1921, participou do Concílio Vaticano II, como observador em 1962, convidado pelo Cardeal Motta.
Seria de admirar se como observador ele não observasse algo que ficara tão evidente. Em 1980 corajosamente lançou o livro "Abusos e erros sobre à Fé à SOMBRA do Vaticano II." Sua posição parece variar entre a hermenêutica da continuidade e o tradicionalismo propriamente dito. Mas, antes de chegar à minha conclusão, voltemos à história, contada por ele mesmo no livro acima.

Ficara evidente desde o princípio que o Concílio não queria proclamar dogma nenhum, era apenas um aggiornamento... como se a Igreja precisasse renovar-se. Vierem uns bispos da Alemanha e Holanda, e acharam que renovar-se era aderir ao modernismo condenado por São Pio X. (Resumindo a história, foi isso). Monsenhor Bastos, estava indignado pelo tratamento que esses teólogos do Reno davam aos honestos e tradicionais teólogos, incluindo o cardeal Ottaviani (houve o episódio em que os holandeses cortaram o microfone do Cardeal, e Mons. Bastos foi testemunha ocular), e pela ferocidade com que modernistas atacavam e demoliam a Igreja desde de dentro.
Após desenvolver a história de como o Concílio foi planejado e conduzido a despeito das tentativas do Coetus Internacionalum Patrum, fundado por Dom Sigaud, e do qual foi assistente (chega a citar muitas vezes o livro "O Reno se lança no Tibre"), Monsenhor Francisco Bastos explica cada ponto de fé, do Credo, do Catecismo, com simplicidade fantásticas, contrapondo e refutando as teorias de Freud, Marx e o existencialismo de Heidegger, que triunfou no concílio, e como não podia deixar, as hipóteses malucas dos ''teólogos'' da ''nova igreja'', os Congar, Shoonenberg, Schilibeecx, Hans Kung, Yves Congar, Karl Rahner.
Só pra exemplificar, cito um texto, quando Monsenhor explica a existência de Deus conforme o Concílio de Trento, o Catecismo e a Filosofia de Santo Tomás, e em seguida mostra um absurdo escrito por Schilibeeckx, um dos teólogos holandeses:
"Quando pensávamos e falávamos da transcendênscia de Deus na antiga cultura, voltada de preferência para o passado, naturalmente projetávamos Deus para o passado. A eternidade era algo como um passado invariável, petrificado e eterno: no princípio Deus era, o novíssimo Deus é o que é o nosso porvir e que renova o porvir humano. Deus é promessa!" (Até aqui Shillibeeckx)
É notório como os modernistas usam estas e outras frases como "Deus ainda não é!" (Padre Laurentin), ou "Deus realiza-se entre os homens!" (Pe. Chenu), ainda "a atividade humana é a ação de Deus" (Padre Congar)... usando de uma linguagem sutil, fazem do SER um inacessível e contínuo desvelamento tal qual no existencialismo de Heidegger. O existencialismo é a maneira sutil de dizer que Deus não existe. Tal é a intenção destes senhores, mas vamos à conclusão que Monsenhor Bastos faz da frase de Schillibeeckx:
"Como claramente se deduz de todo esse palavreado, Deus não preexiste à matéria. É difícil aceitar que semelhante absurdo tenha saído da pena, não de um materialista, mas de um frade dominicano."
Como vemos, Mons. Bastos tinha plena consciência do que era modernismo, de como ele atuou no concílio e de que o mesmo não fora infalível, antes foi ele o introdutor do erro, por si, e pela tendência em sempre aplicá-lo contra sua própria letra.
Permaneceu como pároco da Consolação até sua morte em 1984. Talvez nunca tenha saído de lá porque o Cardeal Motta não lhe visse a bom ver, com todas essas idéias obscurantistas.
Também notou Mons. Bastos, como a ambiguidade do concílio permitiu que se instalasse mais absurdos e disparates que não tinham sido ditos pelo concílio, daí escrever outro livro: "O que o Concílio não disse!"
É uma grande pena que todo esse vigor tradicional tenha parado só na memória de poucos, e nas estantes dos sebos. Mas, Monsenhor Bastos preferiu seguir a senda da obediência e permanecer como pároco lá na consolação, onde podia inculcar nos fiéis um pouco de doutrina tradicional e salvar as almas que lhe foram confiadas pelo bispo... enquanto o bispo deixasse.
Se há mais coisas notórias a se dizer nesta breve resenha, é o quanto Monsenhor Bastos amava São Pio X. Sua felicidade em obter uma audiência particular com ele quando jovem seminarista está no livro: "Reminiscência de um pároco da cidade", lançado em 1973. Mais um que recomendo.
Agora para terminar a homenagem a esse padre esquecido, termino por dizer que em 1936, com Benedito Rui Barbosa, e Waldemar Júnior, fundou o São Paulo Futebol Clube. E ele mesmo quem casava e batizava os jgadores e filhos dos jogadores. Quando não prendia-os na Igreja da Consolação para rezarem e assim não fugir do treino. Em 1952 abençoou o campo do Morumbi, onde agora está estádio do tricolor. Pra ele era "Deus no céu e o São Paulo na terra!" (Como ele mesmo disse). Com um padre tradicionalista ferrenho, cultor de Santo Tomás, devoto de são Pio X, e anti-modernista como fundador não é de se espantar que o SPFC tenha tantos títulos. Creio que ele mesmo diria aos leitores que um cristão batizado tem que ser são-paulino!
E assim terminamos essa resenha de um livro interessante, que recomendo à todos quantos acham o "Reno se lança no Tibre" muito pesado para se ler. E uma curta biografia da vida, de uma personagem desconhecida dos paulistas, brasileiros, e até dos são-paulinos.
Fonte: Fratres

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