2.3. LIVROS DIDÁTICOS – AT
JÓ – Esse livro é uma composição literária influenciado com o gênero dramático, enquadrando um longo poema dialogado, situado no 5º século a.C. O assunto do poema é o problema do sofrimento. Os antigos israelitas tinham as seguintes idéias a respeito do sofrimento: é um castigo, todo homem é pecador, tendo apenas a missão educativa e purificadora do sofrimento. Então para eles o personagem de Jó era uma figura tipo do justo sofredor.
Três amigos apresentam-se a Jó para consolá-lo em suas desgraças: perdas de seus bens, de sua esposa, de seus filhos e de sua saúde, propondo-lhe piedosas e inofensivas consolações. Mas Jó responde com uma afirmação de sua inocência e com um apelo incessante a Deus, do qual sabe que procedem as suas provações.
Então, Deus responde a Jó, reconhecendo que ele é justo, mas que não procedeu com bastante retidão, pretendendo investigar os desígnios de Deus. O Senhor envia provações aos homens e, cabe a ele humilhar-se com paciência e esperança na sua presença, sem querer desvendar os planos misteriosos do Criador.
Entretanto alguns capítulos podem ser enumerados:
- (cap. 1 e 2) – o prólogo;
- (cap. 3) – a primeira queixa de Jó;
- (vários cap.) – as lamentações;
- (cap. 12 a 14) – o apelo a Deus;
- (cap. 36 e 37) – as obras de Deus e seu governo;
- (cap. 38 a 42) – as palavras de Deus sobres as maravilhas da criação.
SALMOS – o Saltério era o livro de oração dos antigos judeus. A palavra Salmo é a tradução do termo hebraico que quer dizer louvores. Os salmos eram cânticos destinados ao uso litúrgico do templo de Jerusalém, mas percebe neles o eco de sentimentos religiosos. Para os cristãos ele se se tornou o livro dos enlevos espirituais, depois de tê-lo sido para o próprio Jesus Cristo.
As inscrições do texto original atribuem 74 salmos a Davi, 10 aos filhos de Coré, 08 a Asaf, 2 a Salomão, e l a Hemão, a Etão e a Moisés. Todas as cordas do sentimento religioso são neles dedilhadas: respeito à majestade divina, gratidão pela misericórdia infinita e pelo perdão de Deus, absoluta confiança na providência, penitência e contrição ante os próprios pecados, tristeza e temor dos perigos que nos cercam, paz, consolação, coragem, obediência, alegria e esperança.
Os salmos tornam-se familiares às nossas almas cristãs, por isso o saltério assumiu o lugar todo particular na liturgia da Igreja. Muitas vezes o homem vê-se inclinado as coisas terrenas e mal consegue rezar. Nos salmos encontramos maravilhosos formulários de oração que nos ensinam como devemos nos dirigir a Deus. O saltério é, em verdade, o livro de oração da Igreja e da alma cristã.
Eis uma relação dos mais belos salmos:
- Salmo de Confiança: 22, 26, 90,l20, l30.
- Ensinamentos da Sabedoria: 1, 31, 36, 118.
- Meditações: 8,9,11,35,38,48.
- Louvores: 7, l8, 28, 46, 92, 95, 96, 97, 145.
- Reais e Messiânicos: 2, 18, 19, 20, 21, 44, 68, 71, 109, 144.
- Lamentações e Orações Intensas: 24, 31, 32, 43.
- Ações de Graças: 33, 65 , 102, 135.
PROVÉRBIOS – este livro é atribuído a Salomão, pois menciona o primeiro livro dos Reis (4, 29 – 34) que Salomão produziu numerosos provérbios de Sabedoria.
Este livro é composto de 08 partes:
- 1ª é formada por 6 exortações de evocações poéticas;
- 2ª a grande coleção salomônica que tratam dos vários estados da vida;
- 3ª e 4ª duas pequenas coleções atribuídas aos “sábios”.
- 5ª provérbios salomônica recolhidos “pela gente do rei Ezequias”.
- 6ª um fragmento atribuído a Agur, filho de Iaque.
- 7ª conselhos de uma rainha-mãe ao seu filho.
- 8ª poema acróstico, seguindo as letras do alfabeto, que faz o elogio da mulher forte.
Acham nesse livro numerosas passagens nas quais se pode descobrir frisante parentesco com textos anteriores egípcios e orientais. Os hebreus sofreram os influência dessas grandes civilizações.
A moral dos Provérbios, fundada na crença e na revelação de um único Deus, mostra-se superior à de todos os produtos pagãos da mesma espécie.
Do ponto de vista moral, a humanidade é dividida em duas categorias:
- OS SÁBIOS – todo aquele que é inteligente, bem avisado, virtuoso e íntegro.
- OS INSIPIENTES – todo aquele que é mau, mentiroso, negador, ladrão, malfeitor.
O autor insiste nas virtudes da caridade, da prudência, da moderação e da discrição, investindo contra os vícios de embriaguez, da gula, da luxúria e da preguiça. Acentua também a piedade filial e a educação das crianças. Em todo o livro se manifesta viva fé numa retribuição, recompensa ou castigo não existindo ainda a idéia de uma vida eterna.
Assim é que ou se nos depara a célebre máxima:
- (cap. 1,7 e 9; 10) – o temor ao Senhor é o começo da sabedoria;
- (cap. 8,22) – a sabedoria só provém de Deus;
- (cap. 2,5-9) – a sabedoria faz compreender algo da justiça e do juízos de Deus;
- (cap. 15,33) – a sabedoria produz a verdadeira humildade;
- (cap. 1 a 20) – seis exortações do sábio ao seu filho;
- (cap. 30) – as curiosas máximas;
- (cap. 31) – o poema sobre a mulher forte (mulher virtuosa).
ECLESIASTES – Este livro apresenta uma série de meditações sobre a instabilidade humana. O autor é desconhecido, sendo que o último redator desse livro, deve ter vivido no 3º século a .C. Para o autor e para seus contemporâneos, os homens vão depois da morte, para um único e mesmo lugar, o Cheol (região dos mortos).
A existência nesse lugar é sem consolações, nas trevas, sem felicidade, onde nenhuma relação mais se tem com o que acontece na terra. Percebe-se desse escrito a base do pessimismo. Compreende-se a conclusão que ele tira desse seu modo de ver : se a perspectiva do céu é tão duvidosa, se a experiência da vida aponta tantas preocupações e desilusões, nada melhor se pode aconselhar do que fruir dos bens que Deus nos dá nesta vida e agradecer-lhe por tudo isso.
Mas, mesmo assim, as alegrias terrenos são incapazes de saciar a sede da felicidade de que sofre o coração do homem.
Entretanto, o autor alia a esse pessimismo um espírito de profunda religiosidade, insistindo na disposição sempre sábia, da providência divina. Tudo o que há de bom na vida, é dom de Deus. A piedade é o principal meio de alcançarmos nosso destino. Toda a moral do livro resume-se nos seus últimos versículos: “Como conclusão geral, teme a Deus e observa os seus preceitos; eis aí o homem todo”.
CÂNTICOS DOS CÂNTICOS – Esta expressão significa o mais belo dos cânticos. É uma coleção de poemas que devem ter sido destinado às solenidades núpcias. O amor humano foi escolhido com tema para esses poemas inspirados. O amor que une o homem e a mulher no casamento foi que querido por Deus no plano da criação.
As festas nupciais para os antigos judeus eram uma ocasião propícia para a manifestação de sua fé nos destinos da nação escolhida, que era considerada a esposa do Senhor.
O amor humano tornava-se, um verdadeiro símbolo de Aliança de Deus com seu povo. O cântico foi considerado e lido pelos judeus, como um cântico de amor de Deus para com seu povo. O cântico prega a fidelidade.
A Igreja cristã, nunca cessou de ver neles uma figura do amor de Cristo para com sua Igreja, considerada sua esposa.
O cântico celebra a satisfação única e perfeita que a alma cristã encontra no seu Bem-amado. A liturgia da Igreja utiliza as palavras do cântico para celebrar o amor da Virgem Santíssima para com seu Filho.
SABEDORIA – O conteúdo deste livro é um louvor à sabedoria divina.
Na 1ª parte, mostra a sabedoria nas obras da vida de cada homem, sendo recompensada pela vida eterna.
Na 2ª parte, expõe o papel que a sabedoria representou na vida do rei Salomão, como uma irradiação do Deus Altíssimo.
Na 3ª parte, apresenta a sabedoria em ação: na criação, na história da humanidade e na história do povo de Deus.
A finalidade do autor é prevenir os judeus moradores no Egito, de não se desencaminharem pela filosofia grega e de não serem tentados a abandonar o culto de um Deus único. Ele quer mostrar que o conceito judaico proporciona ao homem a imortalidade.
Só essa sabedoria, que tira sua origem de Deus, é um guia seguro para a nossa vida religiosa e moral, como uma salvaguarda contra a idolatria, iluminando a história de Israel e os terríveis castigos que o culto aos deuses falsos arrasta após si.
O autor refere-se à sabedoria, envolvendo-a num atributo divino personificado; uma pessoa que pensa, que fala e que age.
É ela que criou o mundo e que, como conselheira de Deus dirige o universo inteiro. O estilo da 1ª parte faz pensar na poesia hebraica e no restante do livro o estilo é mais livre e aproxima-se da língua grega.
Esse livro não é citado nos Evangelhos, nem em São Paulo, mas numerosas passagens, na Epístola aos Hebreus, fazem referência a certos trechos da sabedoria. Nele contém as primeiras revelações sobre a imortalidade da alma e a seu destino eterno, e estabelece uma digna transição entre a antiga Aliança e a plena revelação evangélica.
ECLESIÁSTICO – Este livro no texto grego leva o título de Sabedoria de Jesus, filho de Sirac. Na Igreja latina, foi-lhe dado o título de Eclesiástico ou livro da Igreja, porque era utilizado para instrução dos fiéis.
A 1ª parte, divide-se, em 07 séries de sentenças, começando todas elas por um elogio à sabedoria.
A 2ª parte, subdivide-se em duas secções, contendo a primeira um cântico de louvor à sabedoria divina, que resplandece em todas as suas obras, e descrevendo a segunda parte a sábia providência de Deus, como ela aparece nas grandes figuras da história de Israel.
Trata o autor de todos os aspectos da vida humana: exortações aos maridos, às mulheres, aos pais, aos filhos, aos senhores, aos homens da lei, aos anciãos.
Deparam-se aí tratados sobre a riqueza e sobre a pobreza, sobre o comércio e sobre a educação, sobre o modo de proceder em geral e em particular e sobre a hospitalidade.
Ao lado de problemas importantes como o da retribuição do mal, lemos aí regras de boas maneiras e conselhos sobre o modo de assentar à mesa de um banquete. Todos esses assuntos são considerados sob um ponto de vista religioso. Tudo procede da lei e dirige-se para a lei.
O Eclesiástico apresenta, portanto, grandes semelhanças com o capítulo 6 dos Provérbios. Esse livro deve ter sido escrito no ano 200 a.C. Decorria nesse período disputas da Palestina por parte dos reis da Síria e do Egito, e numerosos israelitas aderiam à cultura grega.
O 1º capítulo do primeiro livro de Macabeus compara-se com a introdução deste livro. O Eclesiástico torna-se um apelo vivo à fidelidade para com as tradições judaicas e um cântico de louvor à história de Israel, de acordo com os planos divinos.
O autor considera sua obra como uma irradiação da sabedoria tradicional que a providência suscitou em Israel. O conjunto das exortações que aí lemos baseia-se nas normas da lei, no que ela contém de eterno.
A recomendação da virtude e a fuga do pecado, conservam pleno valor atual. A Igreja cristã encontrou o livro do Eclesiástico na tradução grega em uso no tempo dos apóstolos, mas só foi incorporados muito mais tarde na coleção dos escritos inspirados, por essa razão, o judeu e o protestante não reconhecem a sua canonicidade.
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