2.4. LIVROS PROFÉTICOS - AT
ISAÍAS – É considerado como o maior dos profetas de Israel. Nascido por volta do ano 760, de uma família nobre do reino de Judá, foi chamado por Deus no ano 740 ao ministério profético, que exerceu por cerca de 50 anos. Este se compõe de duas partes muito distintas:
Os 39 primeiros capítulos que contém referências a Isaías e ao seu tempo, são inteligíveis no ambiente dos acontecimentos dos reinados de Osias, de Joatão, de Acaz e de Ezequias (II Re 15 a 20).
Os capítulos 40 a 66, supõem uma época muito diferente e posterior. Aqui o profeta se dirige aos israelitas deportados, ou já reintegrados na sua pátria, como se ele vivesse no meio deles. Isaías pode ser considerado o profeta da justiça. Revolta-se ele contra a idolatria e os abusos sociais que se alastravam no seu tempo; ele ameaçava os ricos e os poderosos e eleva sua voz contra os hipócritas e todo aqueles que levavam vida frívola, chamando com grande fervor o povo ao arrependimento e à fé.
Na segunda parte do livro, Isaías apresenta-se como o profeta da consolação e da esperança. Depara-se aí um conceito majestoso de Deus, o criador e soberano Senhor, vencedor do mundo, e salvador do seu povo. Nota-se misteriosos poemas que se referem ao “servo do Senhor”. Descobre-se nesses trechos uma belíssima imagem de Jesus Cristo.
O capítulo 53 de Isaías pode ser considerado como o auge da profecia: aí Deus se manifesta como jamais o tinha feito. Quanto às profecias contra as nações pagãs, devemos notar: era uma idéia comum entre todos os profetas que os crimes do povo eleito seriam punidos por Deus.
Entre as passagens mais célebres notemos as seguintes:
- (cap. 1 a 5) – censuras a Jerusalém;
- (cap. 6) – vocação do profeta;
- (cap. 9 e 11) – o reino do Messias;
- (cap. 26) – cânticos dos resgatados;
- (cap. 36) – felicidade dos tempos messiânicos;
- (cap. 40) – anúncio da libertação;
- (cap. 42 a 49 a 55) – o servo do Senhor;
- (cap. 60 e 61) – a glória da nova Jerusalém;
- (cap. 62 a 64) – orações no tempo da angústia.
JEREMIAS – Este livro é cheio de episódios e de poemas que se relacionam com a própria pessoa do profeta. Nasceu de família sacerdotal em Anatot, aldeia da Judéia, por volta de 650 a.C. O tempo de sua profecia estendeu-se por cerca de 40 anos.
A tarefa do profeta era austera: temperamento tímido e hesitante, coração ardente e sensível, Jeremias viu-se obrigado a ser, contudo, o “profeta das desgraças”. Sua missão tornou objeto de ira para aqueles que praticavam abusos e pecados. Foi caluniado, preso e correu o risco de perder a vida. Ele predissera aos deportados um longo exílio de 70 anos. O rei destruiu esses oráculos e Jeremias foi preso numa cisterna com o fundo cheio de lodo. Mas um escravo do rei o libertou. Sempre foi destemido, continua a prever a queda de Jerusalém, mas anuncia que haveria uma esperança no porvir.
O sentido geral do livro de Jeremias consiste na interpretação providencial da catástrofe que ele anunciou e viveu. Justo e sofredor, reveste-se de excepcional importância. Tornou-se um prenúncio de Jesus Cristo, “o homem das dores, habituado ao sofrimento por causa dos pecados do seu povo”.
Eis algumas passagens importantes:
- (cap. 1) – a vocação do profeta;
- (cap. 2 a 7) – os oráculos contra os juízes infiéis;
- (cap. 10) – contra a idolatria;
- (cap. 15 e 18 a 20) – os sofrimentos e queixas do profeta;
- (cap. 19 e 24) – as ações simbólicas;
- (cap. 30 e 33) – as promessas da restauração;
- (cap. 36 a 44) – o episódio da vida do profeta.
LAMENTAÇÕES – Compõe-se de 05 poemas ou lamentações fúnebres.
Os quatro primeiros poemas são escritos como alguns salmos e elogio da mulher forte (Prov. 32), em forma de composição poética, começam cada estrofe por uma letra do alfabeto. O quinto é uma oração.
Foram compostos nos anos que se seguiram à destruição de Jerusalém, em 586. Esse livro era lido todos os anos na comunidade judaica, no dia do aniversário da destruição do templo, e era destinado a levar seus ouvintes a reconhecer as próprias faltas e a excitá-los a uma nova confiança na misericórdia de Deus que, apesar de tantos castigos infligidos ao seu povo, permanece fiel às promessas e à Aliança eterna.
BARUC – Profeta posterior a restauração.
A primeira parte foi composta em hebraico, mas só possuímos hoje o texto da tradução grega. Consiste numa exortação à penitência.
A segunda parte, escrita em grego, abrange além de um majestoso poema à sabedoria, como um meio de chegar-se a Deus, um veemente apelo à coragem, à resignação e à esperança.
EZEQUIEL – Em 593 a.C., foi enviado por Deus aos deportados, pois sob a influência dos pagãos, o povo eleito deixou-se corromper e foi adotando os ritos, da idolatria e os costumes depravados dos vencedores.
Ezequiel exercia no exílio a mesma missão de Jeremias.
O assunto dos 33 capítulos desse livro fala do anúncio da destruição de Jerusalém. Depois de realizado, uma nova deportação aumentou os números dos exilados. Jeremias interpreta-a como castigo divino pela infidelidade dos chefes que deram ao povo o exemplo da corrupção.
Daí em diante a mensagem do profeta muda de caráter. Ele anuncia o novo Pastor do povo de Deus, a ressurreição de Israel, a restauração do templo e o restabelecimento de uma ordem de coisas onde, sob a direção divina, reinará a justiça.
Eis algumas passagens importantes:
- (cap. 1 a 5) – visão da glória divina;
- (cap. 4,5 e 12) –narra estranhas ações simbólicas;
- (cap. 14 e 18) – princípio da responsabilidade e do merecimento pessoal;
- (cap. 16,20,23) –trechos que causam espantos;
- (cap. 34 a 36) – referem à restauração;
- (cap. 37) – visão dos ossos secos;
- (cap. 40 a 48) – visão do novo templo e do novo estado judaico;
- (cap. 7, 1-27) – proximidade do fim;
- (cap. 33,1-9) – missão do profeta;
- (cap. 48,30-35) – portas da cidade nova (Jerusalém celestial).
DANIEL – É um israelita levado à Babilônia entre os deportados por Nabucodonosor. Possuidor de uma fé ardente e de um patriotismo violento. É o autor do livro e herói principal. Esse escrito foi redigido em 03 línguas: hebraico, grego e aramaico. É um dos mais curiosos livros proféticos da Bíblia.
Primeiro abrange diversas narrações relativas ao profeta no meio dos habitantes de Babilônia. Em seguida vem uma série de estranhas descrições, imaginativas e solenes, de misteriosas visões. O autor serve-se do estilo apocalíptico, para delinear aos leitores, sob imagens veladas e ao mesmo tempo transparentes, os acontecimentos de que são testemunhas, nos quais poderão descobrir perspectivas de um futuro que constitui a finalidade de sua mensagem.
As narrações no começo do livro apresentam Daniel e seus companheiros como homens, cuja inflexível fidelidade se torna um símbolo da resistência dos crentes ao poder dos perseguidores.
O profeta revela a preparação do Reino de Deus pela restauração religiosa do povo eleito e a própria realização desse Reino, bem como a sua consumação no fim dos tempos.
Esse Reino, anunciado pelos profetas, é o que será proclamado e realizado por Jesus Cristo. São as seguintes passagens importantes:
- (cap. 2) – o sonho da estátua;
- (cap. 5) – o festim de Baltazar;
- (cap. 6) – a cova dos leões;
- (cap. 9) – a oração de Daniel;
- (cap. 12) – os tempos messiânicos;
- (cap. 13) – a história de Susana.
OSÉIAS – O profeta era oriundo do reino do norte. Seu ministério parece ter começado no fim do reino de Jeroboão II (787 a 746). Exerceu ele esse mesmo ministério profético até o reinado de Manaém (745 a 735). Toda a sua profecia na Bíblia, a união de Deus com seu povo é comparada por ele com o noivado. Essa imagem será empregada de novo por quase todos os profetas que o seguirão. Oséias insiste no caráter moral dos castigos que ele anuncia, e põe um acento particular sobre o amor de Deus para com seu povo.
JOEL – É conhecido por seu poema. Sabe-se que ele profetizou no reino de Judá, e sobretudo em Jerusalém, de onde era originário. Ele mostra o conhecimento do culto, o amor do povo e a cultura religiosa que se espera encontrar num membro da classe sacerdotal. Por falta de indicações cronológicas e de indícios decisivos, os autores discordam quanto o tempo em que ele viveu; mas, segundo o parecer de muitos, terá ele vivido depois do exílio. Muitas circunstâncias levam a pensar que ele conheceu o livro de Amós.
AMÓS – Era pastor em Técua, localidade vizinha de Belém. Camponês de alma religiosa, no meio da prosperidade do reino de Jeroboão I ele só prega ameaças e anuncia castigos. Insurge-se contra as injustiças sociais que devastam a Samaria: opressão dos pobres e corrupção dos juízes. Insiste no castigo do reino do norte, mas dá a entender que também o reino de Judá será punido por sua idolatria. A perspectiva messiânica é descrita por ele sob a imagem de uma extraordinária prosperidade agrícola.
ABDIAS – Parece que a composição do oráculo desse profeta, em parte desconhecido, deve ser fixada na época do exílio. O oráculo é dirigido contra Edom, que é censurada por alegrar-se com a ruína de Jerusalém: a vingança de Deus vai atingi-la da mesma forma que aos outros pagãos.
JONAS – No II Re 14,25 fala-se de um profeta Jonas contemporâneo de Oséias e de Amós, mas não foi este quem escreveu o livro de Jonas. Este livro foi redigido depois do exílio de Babilônia. Temos aí um ensinamento religioso velado sob as formas de uma parábola.
Esse ensinamento é muito importante: Jonas, enviado a Nínive, significa que Deus chama ao perdão não somente os judeus, mas também os pagãos. Jonas recusando ir até lá significa que os judeus são ciosos de seus privilégios. Isso é claramente expresso no último capítulo, quando Deus mostra a Jonas que, se ele se preocupa com uma árvore que o sol secou, não é de estranhar que Deus se preocupe com todo um povo que deseja converter-se.
MIQUÉIAS – Era judeu originário de Moreset, aldeia vizinha de Hebron. Foi contemporâneo de Isaías. Profetizou a ruína de Samaria, sobrevinda em 722, e anunciou ao reino de Judá um castigo semelhante. Sabe-se por uma passagem de Jeremias (26,18-19), que sua pregação causou profunda impressão em Jerusalém. É possível que os oráculos dos capítulos 4 e 5 contenham um quadro da restauração messiânica, relacionando-se com a época da reforma religiosa de Ezequias.
NAUM – A vida desse profeta é desconhecida. Ignora-se onde se situava a aldeia de Escosh, de onde ele era originário. O oráculo que nos é conservado a esse respeito descreve antes de tudo o julgamento divino que se exerce no mundo, e em seguida manifesta uma alegria transbordante com a ruína de Nínive (608).
SOFONIAS – Exerceu seu ministério sob o reinado de Josias, por volta do ano 625. É um profeta justiceiro que anuncia o dia do Senhor sob a figura de um sacrifício ritual, em que todos serão castigados, salvo os que praticam a justiça, a humildade e a obediência à lei de Deus. Ao anúncio do castigo sucede uma perspectiva messiânica: o nome de Deus será glorificado entre os pagãos, e Israel, purificado pela prova, será restaurado na amizade divina.
HABACUC – Este oráculo parece pertencer à época que se seguiu à batalha de Carquêmis, em 605. Anuncia a invasão iminente dos caldeus. Habacuc é um profeta filósofo que parece ter sido um dos primeiros israelitas a pensar no problema do mal. A solução que ele propõe é que Deus, no final, salvará o justo, punindo o invasor. Então a terra inteira ficará cheia do conhecimento de Deus.
AGEU – É mencionado em Esdras 5,1 e 6,14. O livro que traz seu nome foi redigido por um discípulo, que a ele juntou fragmentos onde Ageu é nomeado na terceira pessoa. Este exerceu seu ministério em Jerusalém, por volta do ano 520, quando se reconstruía o templo.
ZACARIAS – Sua linguagem é tenebrosa e simbólica: um anjo transmite-lhe os oráculos divinos. Ele prega uma reforma moral, ao mesmo tempo em que exorta o povo a reconstruir o templo. Vê em Zorobabel o eleito de Deus, dando-lhe o título messiânico de Germe. O escrito contém uma importante descrição do reino pacífico do Messias, e uma espécie de apocalipse, anunciando a ruína dos inimigos de Jerusalém e a conversão das nações. A segunda parte do livro (9 a 14) representa uma situação histórica diferente, que parece referir-se às últimas décadas do século IV antes de Cristo.
MALAQUIAS – Esse profeta fala do amor de Deus por seu povo, do qual não é uma prova o recente castigo de Edom. Mas explica também por que Deus não é mais generoso em bênçãos: negligências no ministério sacerdotal, no respeito à santidade do matrimônio (casamentos mistos e divórcios), no pagamento do dízimo. A pregação de Malaquias preparou a grande reforma de Neemias.
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